O número de corridas de rua cresce a cada ano em Salvador e em toda a Bahia. Mas uma proposta apresentada na Câmara Municipal da capital baiana, que prevê a obrigatoriedade de atestado médico para participar das corridas, tem causado polêmica.
O Projeto de Lei nº 8/2026, apresentado pelo vereador Randerson Leal (Podemos), propõe tornar obrigatória a apresentação de atestado médico cardiológico para corredores inscritos em provas realizadas em Salvador. Segundo o parlamentar, a medida busca ampliar a segurança dos participantes e evitar episódios de mal súbito durante eventos esportivos. Em novembro do ano passado , por exemplo, um homem de 36 anos passou mal e morreu durante a sétima edição da Corrida Colorida, realizada na capital.
“Nós não podemos continuar assistindo pessoas morrerem em eventos esportivos por falta de uma medida simples, acessível e comprovadamente eficaz. O atestado cardiológico não é burocracia, é o mínimo de respeito pela vida de quem calça um tênis e vai às ruas correr”, justificou o vereador.
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Pela proposta, todos os atletas inscritos em corridas promovidas por entidades públicas ou privadas no município teriam que apresentar um atestado emitido por médico registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM), com declaração de aptidão física e cardiológica para a prática da modalidade. O documento teria validade de 12 meses.
Reação
A proposta, no entanto, gerou reação entre organizadores de corridas. A Associação Brasileira dos Organizadores de Corrida de Rua (Abraceo) encaminhou um ofício ao vereador pedindo a retirada ou reformulação do projeto. Segundo a entidade, a exigência de atestado médico obrigatório já foi abandonada por diversas entidades médicas e esportivas por não se mostrar eficaz na redução de riscos.
Para o presidente da entidade, Guilherme Celso, a medida pode acabar afastando pessoas da prática esportiva. “Hoje, o que mais mata no Brasil e no mundo não são as provas esportivas, mas o sedentarismo e as doenças crônicas decorrentes da inatividade física, como obesidade, hipertensão e diabetes. Impor mais uma barreira para a prática da corrida contribui para afastar a população do esporte, e não para protegê-la”, afirmou.



