A rotina dos militares lotados na 3ª Companhia de Bombeiros Militar, pertencente ao 2º Batalhão em Feira de Santana, tem sido marcada por desafios que ultrapassam o atendimento a ocorrências na cidade histórica de Cachoeira. Bombeiros denunciam que o quartel enfrenta um quadro severo de degradação estrutural.
Entre os problemas citados pelos militares estão infiltrações constantes e calhas danificadas e furadas, que ocasionam alagamentos frequentes em áreas críticas como o alojamento e banheiros. Em períodos de chuva, a situação se agrava significativamente, com a entrada de água no interior das dependências, causando danos à estrutura e exigindo que móveis e equipamentos eletrônicos sejam afastados para evitar perdas.
Ao CORREIO, um bombeiro deu detalhes sobre a situação do quartel, que funciona em uma antiga estação de trem em Cachoeira, no Recôncavo.
“A gente convive aqui com mofo no forro, com bastante umidade e alagamentos quando chove. Cachoeira é uma cidade bastante chuvosa e a gente tem que afastar móveis, armários, equipamentos eletrônicos e computadores para evitar que a água danifique tudo”, diz, em condição de anonimato por medo de represálias.
Segundo ele, os prejuízos atingem tanto a estrutura física quanto a parte elétrica. “Já danificou lâmpadas, portas, paredes. No alojamento, tem infiltração e a pintura está descascando”, afirma.
O militar também aponta que o problema pode estar relacionado à estrutura do telhado. “Colocaram calha de zinco em uma cidade com salitre. Não iria resistir. A calha está toda furada, causando essa molhação toda. Era algo simples de resolver, bastava substituir”, acrescenta.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que mantém efetivo operacional permanente no município de Cachoeira, assegurando o atendimento às ocorrências na região do Recôncavo. “A Corporação reconhece a necessidade de melhorias na infraestrutura da 3ª Companhia de Bombeiros Militar e destaca que a garantia de condições adequadas de trabalho e bem-estar do efetivo é prioridade institucional”.
De acordo com a corporação, estão sendo realizados levantamentos técnicos para subsidiar as intervenções necessárias no imóvel tombado pelo seu valor histórico e cultural. “O CBMBA reafirma seu compromisso com a qualidade do serviço prestado, a segurança da população e, especialmente, com a dignidade e a segurança do seu efetivo no desempenho de suas atividades”, informou, por meio de nota.
Já a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) informou que a reforma da unidade está prevista no Programa de Modernização das Estruturas Policiais e de Bombeiros, sem detalhar o prazo. Ainda segundo a pasta, o projeto garantiu a inauguração de 240 novas unidades e reformas de aproximadamente 150 estruturas nos últimos três anos no estado.
Além das condições físicas, os relatos citam cobranças administrativas consideradas excessivas pelos militares. Entre elas, a exigência frequente de gravação de vídeos de treinamentos e testes de equipamentos.
“Parece uma desconfiança constante, como se a gente não trabalhasse no dia a dia”, afirma o bombeiro. A reportagem apurou que uma denúncia formal foi estruturada e que o assunto deve ser apresentado ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).
Militares dizem pagar do próprio bolso por internet do quartel
A precariedade da unidade de Cachoeira ultrapassa os problemas estruturais e atinge as ferramentas básicas de trabalho. Os próprios militares realizam um rateio mensal para custear a internet utilizada na companhia.
Segundo relatos, não há investimento do quartel para a manutenção desse serviço essencial, tornando a operação dependente do bolso dos servidores. Um bombeiro, sob anonimato, explica que o gasto é indispensável para a rotina militar.
“Aqui são os militares que rateiam a internet entre si. Não há custo do quartel para manutenção de internet, ou seja, quando é necessário lançar uma ocorrência no sistema ou se comunicar, é por meio da internet paga pelos militares”, denuncia.




