A reativação da Hidrovia do São Francisco surge como uma das mais importantes iniciativas de infraestrutura logística do país e coloca o Vale do São Francisco no centro de uma nova rota de desenvolvimento econômico. O projeto foi apresentado pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) durante a JuazeirOpen – 1ª Feira de Negócios do Vale do São Francisco, reacendendo a expectativa de retomada do transporte hidroviário de cargas na região, interrompido há anos.
A nova etapa do projeto prevê a utilização do Rio São Francisco como corredor estratégico para o abastecimento das regiões Sul e Sudeste do Brasil por meio do terminal de Pirapora (MG), ampliando as alternativas de escoamento da produção regional e fortalecendo a integração logística nacional. Com investimento estimado em R$ 2 bilhões, a iniciativa deverá gerar mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, além de impulsionar novos negócios e oportunidades para os municípios inseridos na área de influência da hidrovia. Segundo o chefe de gabinete da Autoridade Portuária Federal (Codeba), Carlos Luciano, a expectativa é de um impacto significativo na economia regional. “A expectativa é de um aumento substancial na geração de emprego e renda com o funcionamento da nova hidrovia”, destacou.
O projeto prevê a retomada da navegação comercial em um trecho de 1.371 quilômetros navegáveis entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), com capacidade estimada para movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação. Para o economista e presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Juazeiro (ACIAJ), George Falcão, a iniciativa representa uma transformação histórica para a região. “A reativação da Hidrovia do São Francisco muda para melhor o cenário econômico regional, recolocando Juazeiro no lugar que merece, com a ampliação das operações de cargas e descargas e fortalecendo sua posição estratégica na logística nacional”, afirmou.
Embora ainda não exista uma definição sobre o início das obras, a Codeba reforça que o Nordeste desponta como um dos principais vetores de crescimento do país e que a Nova Hidrovia do São Francisco integra um conjunto de ações voltadas à interiorização do desenvolvimento econômico. “Somos a nova fronteira de desenvolvimento do país. Estamos promovendo a interiorização desse crescimento por meio da criação de uma nova cadeia logística multimodal, integrada à infraestrutura rodoviária já existente”, ressaltou Carlos Luciano durante a apresentação do projeto.
Além dos ganhos econômicos, a hidrovia também apresenta importantes vantagens ambientais. De acordo com a Codeba, os estudos de modelagem econômica contam com a participação da Infra S.A (Estatal ligada ao Ministério dos Transportes), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e da Marinha do Brasil, buscando consolidar um modelo de transporte mais eficiente e sustentável. Um único comboio hidroviário pode substituir até 163 carretas nas rodovias, reduzindo custos operacionais, emissões de gases poluentes e congestionamentos nas estradas.
A expectativa é que a retomada da navegação comercial no Velho Chico fortaleça a competitividade da produção agrícola, industrial e mineral da região, consolidando o Vale do São Francisco como um dos principais polos logísticos e econômicos do Nordeste brasileiro.
Mônia Ramos – Jornalista
Ascom Aciaj Juazeiro




