O Agosto Lilás, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra as mulheres, ganhou espaço de reflexão e diálogo no Instituto Federal Baiano – Campus Teixeira de Freitas por meio de duas atividades que reuniram estudantes, docentes, servidor, gestão e participação externa em torno de uma questão que ultrapassa os limites da escola e constitui um importante desafio social.

As ações foram propostas pelo Setor de Áudio Visual (SEAV) em resposta à mobilização realizada pelo Grupo de Estudos sobre Gênero e Identidade (GENI) para o desenvolvimento de atividades relacionadas ao Agosto Lilás no Campus. A iniciativa contou com a colaboração das professoras Dhanyane Castro, Cecília Martins e Marcio Guermello, além do apoio institucional do GENI, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) e da gestão do Campus.
Realizadas nos dias 11 e 19 de agosto, as atividades que integraram o Diálogos do Agosto Lilás utilizaram o documentário O Silêncio dos Homens como elemento mobilizador para discutir questões relacionadas às construções sociais de gênero, masculinidades e suas interfaces com a prevenção e o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Mais do que inserir o tema no calendário institucional, a proposta buscou criar condições para que ele pudesse ser problematizado a partir das relações cotidianas, das construções culturais e dos comportamentos socialmente naturalizados que interferem na maneira como homens e mulheres estabelecem suas relações.
Agosto Lilás: informação, prevenção e enfrentamento

O Agosto Lilás constitui um período de mobilização social dedicado à conscientização sobre a violência contra as mulheres, à divulgação de direitos e mecanismos de proteção e, sobretudo, à construção de uma cultura de prevenção.
A violência contra a mulher pode assumir diferentes formas — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral — e está inserida em um fenômeno social complexo, que não pode ser compreendido apenas a partir dos episódios em que a violência se manifesta de maneira explícita.
Prevenir também significa discutir valores, comportamentos, relações de poder e construções culturais que podem contribuir para a reprodução das desigualdades de gênero.
É justamente nesse campo que as instituições educacionais assumem uma função relevante.
A educação não se limita à transmissão de conteúdos curriculares. Ela envolve também formação humana, convivência, desenvolvimento da autonomia e construção de instrumentos para que estudantes possam compreender criticamente a sociedade da qual fazem parte.
Trazer o Agosto Lilás para o ambiente escolar significa, portanto, ampliar os espaços de informação, escuta e reflexão sobre relações fundamentadas no respeito, na dignidade humana e na não violência.
Audiovisual como experiência educativa
Foi a partir dessa perspectiva que o Setor de Áudio Visual do Campus Teixeira de Freitas estruturou sua contribuição para a programação.
Nas duas atividades, o documentário O Silêncio dos Homens foi utilizado não apenas como conteúdo exibido, mas como dispositivo pedagógico para provocar questionamentos e iniciar o diálogo.
Ao trabalhar com narrativas, imagens, experiências e depoimentos, o audiovisual possui a capacidade de aproximar questões abstratas da experiência humana. A tela pode apresentar uma situação, mas é o processo de mediação e reflexão que permite ao público atribuir sentidos, estabelecer relações com a realidade e formular novas perguntas.
Nessa perspectiva, o audiovisual ultrapassa sua dimensão estritamente técnica e passa a integrar o processo educativo como linguagem capaz de contribuir para ações de comunicação, cultura, sensibilização, formação e transformação social.
Duas turmas, dois momentos de diálogo
A primeira atividade foi realizada no dia 11 de agosto, das 7h às 9h, na Sala de Artes, envolvendo estudantes das turmas 1º AGRO e 3º FLOR.
Após a exibição do documentário, foi realizado um diálogo sobre as questões abordadas na obra, intermediado pelo servidor Wagner Rosa, responsável pelo Setor de Áudio Visual, e pelas professoras Dhanyane Castro e Cecília Martins. A atividade contou também com a participação do professor e diretor acadêmico Welton Santos.
O segundo encontro ocorreu no dia 19 de agosto, também das 7h às 9h, reunindo na Sala de Artes estudantes das turmas 1º FLOR e 3º AGRO.
A atividade manteve a proposta de integrar audiovisual e diálogo, mas incorporou um novo elemento: a participação on-line de Cristina da Silva Viana, pedagoga e ativista social das causas feminista, negra e indígena.


A convidada contribuiu para ampliar o debate a partir de sua experiência e campo de atuação, enquanto a mediação presencial foi novamente realizada por Wagner Rosa e pelas professoras Dhanyane Castro e Cecília Martins.
A realização dos dois encontros permitiu que a temática fosse trabalhada com diferentes grupos de estudantes e evitou que a discussão se restringisse a uma ação isolada.
Quando diferentes áreas constroem juntas
Além da temática abordada, a experiência evidencia outra dimensão importante do trabalho desenvolvido dentro de uma instituição educacional: a capacidade de articulação entre diferentes setores, núcleos, profissionais e áreas de conhecimento.
A mobilização do GENI em torno do Agosto Lilás encontrou no SEAV uma resposta construída a partir das competências e possibilidades do setor. A proposta, por sua vez, ganhou amplitude com a colaboração docente, o apoio do NEABI e do próprio GENI, a participação da gestão e a contribuição de uma convidada externa.
Essa dinâmica demonstra como demandas institucionais podem gerar respostas criativas quando diferentes áreas deixam de atuar de maneira compartimentada e passam a estabelecer pontos de convergência.
Não se trata de apagar as especificidades de cada setor ou núcleo. Ao contrário: é justamente a diversidade de competências que torna a atuação conjunta mais rica.
Quando o conhecimento pedagógico encontra a linguagem audiovisual; quando núcleos temáticos contribuem com suas experiências; quando a gestão oferece condições institucionais e quando agentes externos são incorporados ao diálogo, uma atividade inicialmente setorial pode assumir uma dimensão formativa mais ampla.
Um diálogo que não termina com a atividade
A realização do Diálogos do Agosto Lilás deixa, assim, uma experiência que ultrapassa os dois encontros promovidos no Campus Teixeira de Freitas.
Ao responder à mobilização institucional em torno do Agosto Lilás com uma proposta construída a partir do audiovisual, o SEAV explorou uma dimensão importante dessa linguagem dentro do espaço educacional: sua capacidade de mobilizar pessoas e produzir ambientes de reflexão.
Para o IF Baiano, experiências dessa natureza também reafirmam a importância de uma formação que dialogue com questões concretas da sociedade e reconheça que diferentes espaços e profissionais da instituição podem contribuir para o processo educativo.
O encerramento das atividades, portanto, não significa necessariamente o encerramento do diálogo.
Quando estudantes deixam uma atividade levando consigo novas perguntas, revendo determinadas percepções ou conversando sobre aquilo que viram e ouviram, a experiência educativa continua acontecendo para além daquele espaço.
No Agosto Lilás, falar sobre violência contra as mulheres é contribuir para romper silêncios. Criar espaços para assistir, escutar, questionar e dialogar é também uma forma de enfrentá-la.
Para além da proposta do SEAV foram desenvolvidas outras atividades pelo GENI como o recreio musical onde foram veiculadas músicas com o tema, e será promovida no próximo dia 26/08 às uma formação para os servidores com o título Gênero e Raça em Educação na biblioteca do Campus.



