O Instituto de Previdência de Juazeiro (IPJ) promoveu nesta sexta-feira (28), uma formação voltada aos servidores do Instituto sobre prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres, com atenção especial às situações que podem atingir mulheres mais velhas, aposentadas e pensionistas. A iniciativa integrou as ações do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher.
Realizado no auditório do IPJ, o encontro reuniu os servidores do Instituto e profissionais que atuam diretamente na rede de proteção e garantia de direitos das mulheres e da população idosa. Participaram como palestrantes Maria Quitéria Lima, Superintendente de Gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e coordenadora do Grupo de Reabilitação em Relações Interpessoais (GRRI); a capitã PM Tatiane Carvalho, da Ronda Maria da Penha; e Maria Elisabete Santana, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Idoso (CMDI) de Juazeiro.
Durante a formação, foram apresentadas as diferentes formas de violência que podem atingir as mulheres, incluindo as violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O encontro também abordou como reconhecer possíveis sinais de violência, como acolher uma mulher que esteja passando por essa situação e quais caminhos podem ser buscados para garantir proteção e acesso à rede de atendimento.
A discussão ganhou uma atenção especial para as mulheres mais velhas, público que integra a comunidade de aposentados e pensionistas atendida pelo IPJ. As palestrantes destacaram que a violência pode estar presente em diferentes fases da vida e que, muitas vezes, a própria mulher pode não reconhecer determinadas situações como uma forma de violência.
Para Maria Quitéria Lima, ampliar o diálogo sobre o tema é fundamental para que mais mulheres conheçam seus direitos e saibam que podem buscar ajuda. “É muito importante a iniciativa do IPJ de promover esse diálogo com os servidores sobre um tema tão atual e necessário. A violência contra a mulher não escolhe idade ou classe social e pode se manifestar de diferentes formas, inclusive por meio da violência patrimonial. Muitas mulheres mais velhas podem ter vivenciado situações de violência ao longo da vida sem reconhecer que aquilo era uma forma de violência. Por isso, é fundamental falar sobre o tema, ampliar o conhecimento e mostrar que essas mulheres têm direitos e podem buscar ajuda. Trazer essa discussão para o Agosto Lilás fortalece a rede de proteção e contribui para que mulheres aposentadas possam viver essa nova fase com mais segurança, autonomia e dignidade”, destacou Maria Quitéria Lima.
Acolher também é uma forma de proteger
Um dos principais pontos discutidos durante a formação foi a importância do acolhimento. Identificar possíveis sinais de violência é apenas o primeiro passo. A forma como a mulher é recebida, ouvida e orientada pode ser determinante para que ela se sinta segura para falar sobre o que está vivendo e, quando estiver preparada, buscar ajuda.
As palestrantes também ressaltaram que o processo de mudança não pode ser imposto. Cada mulher possui uma história, vínculos familiares e afetivos e circunstâncias próprias que precisam ser respeitadas. Nesse contexto, acolher não significa decidir por ela, mas oferecer escuta, informação, respeito e segurança para que possa conhecer seus direitos e tomar suas próprias decisões.
Para Elisa Sarmento, gerente do Núcleo de Atendimento Previdenciário (NAP) do IPJ, a formação amplia a preparação dos servidores para lidar com situações que podem chegar ao Instituto de maneira silenciosa. “Nosso trabalho vai além da concessão e manutenção dos benefícios previdenciários. Temos uma relação próxima com aposentados e pensionistas e, por isso, precisamos estar preparados para reconhecer situações que possam afetar a vida e o bem-estar dessas pessoas. Promover essa formação foi uma forma de qualificar nossos servidores para acolher, orientar e encaminhar quando necessário, sempre respeitando a história e o tempo de cada mulher”, destacou Elisa.
A presença da Ronda Maria da Penha também possibilitou aos servidores conhecer melhor os mecanismos de proteção disponíveis para mulheres em situação de violência e compreender como a rede de atendimento pode atuar diante dessas situações. A participação do CMDI, por sua vez, contribuiu para ampliar o olhar sobre as especificidades e os direitos das mulheres idosas.
Informação como ferramenta de proteção
A violência contra a mulher nem sempre deixa marcas visíveis. Ela também pode aparecer por meio de ameaças, controle, humilhações, isolamento, retenção de documentos, controle de dinheiro e outros comportamentos que comprometem a autonomia e a liberdade da vítima.
No caso das mulheres mais velhas, a atenção a esses sinais é ainda mais importante, especialmente em situações de dependência financeira, emocional ou familiar. Por isso, conhecer as diferentes formas de violência e saber onde buscar orientação são ferramentas importantes para fortalecer a autonomia e a proteção.
Ao promover a formação, o IPJ encerra o mês de agosto reforçando que informação, escuta e acolhimento também fazem parte da proteção. A iniciativa amplia o conhecimento dos servidores e fortalece a capacidade do Instituto de contribuir para que mulheres aposentadas e pensionistas saibam que não estão sozinhas e que existem caminhos para buscar ajuda quando precisarem.
Texto: Magda Lomeu / ASCOM – IPJ



