POLÍTICA

Jerônimo faz manobra arriscada para faltar a debate da TV Bahia

Amigos, chegamos à semana derradeira que definirá o resultado das eleições para o governo da Bahia. E a principal especulação nos bastidores da política é de que o debate previsto para acontecer hoje na TV Bahia não contará com a presença do governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues.

A possibilidade de ausência do petista não surgiu agora. Há algum tempo, já se alimentava a fogueira das especulações de que Jerônimo não participaria do embate, diante do receio de que um eventual mau desempenho pudesse comprometer sua votação a apenas cinco dias do pleito. Os rumores, porém, ganharam mais força na semana passada, depois que o governador anunciou que o presidente Lula estará hoje em Salvador para participar de uma caminhada.

Inicialmente, o ato eleitoral estava previsto para acontecer em Feira de Santana. Mas, segundo relatos de petistas, a pedido da campanha de Lula houve uma mudança para a capital. A justificativa é que o presidente, envolvido em uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro, prefere participar de um evento em uma cidade com maior visibilidade pública.

Como já dito, a presença de Lula justamente no dia do debate da TV Bahia é vista como uma manobra da campanha de Jerônimo para justificar a ausência do governador no confronto. Afinal, o presidente teria outros dias da semana para cumprir agenda em Salvador. Em 2022, por exemplo, Lula esteve na Bahia numa sexta-feira, dia 30 de setembro, apenas dois dias antes do primeiro turno. Por que, então, escolher justamente o dia do debate?

Há quem sustente, dentro do governo, que Jerônimo ainda avalia participar. É uma hipótese, porém, difícil de imaginar. Depois de cumprir uma caminhada com Lula, o governador teria de correr para chegar ao estúdio e enfrentar um debate sem tempo adequado de preparação. A menos, claro, que queira correr o risco de protagonizar uma espécie de “Nixon x Kennedy” baiano. No célebre debate presidencial de 1960, Nixon apareceu diante das câmeras abatido e visivelmente fatigado, enquanto John Kennedy transmitiu uma imagem mais descansada e segura.

A estratégia de Jerônimo para escapar do debate é arriscada. Ele pode até evitar o risco de um desempenho ruim diante das câmeras, mas dificilmente fugirá das críticas pela ausência. Estudos indicam que a ausência em debates eleitorais pode produzir efeitos negativos, sobretudo pela repercussão e pela cobertura jornalística. A exposição dos eleitores a notícias sobre essa falta reduz significativamente a intenção de voto.

Em 2022, Jerônimo não compareceu a nenhum debate no segundo turno. O cenário, contudo, era bastante diferente. Naquela eleição, ele saiu do primeiro turno com nove pontos de vantagem. Agora, a disputa é mais apertada. Nas pesquisas mais recentes dos principais institutos, ele aparece atrás de ACM Neto e enfrenta uma corrida mais competitiva pela reeleição.

A aposta da campanha petista é que as críticas pela ausência percam força até domingo, quando os eleitores irão às urnas. Em tempos de redes sociais, porém, controlar o alcance de uma repercussão negativa tornou-se mais difícil.

Do outro lado, a oposição explorará, com razão, a ausência do petista baiano. E Jerônimo poderá morder a própria língua ao ser lembrado de que, em 2022, afirmou, em alto e bom som, que quem falta a debate “não tem condição de fazer uma gestão nem de longe”.

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