A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, venceu o Nobel de Literatura de 2026. O anúncio foi feito pela Academia Sueca nesta quinta-feira (8). Poeta, ensaísta e tradutora, a autora é conhecida por cruzar diferentes formas de escrita e incorporar referências da Antiguidade a suas obras.
Nascida em Toronto, em 1950, Carson construiu sua trajetória literária em paralelo à carreira acadêmica. Especialista em literatura clássica, concluiu um doutorado na área e lecionou em universidades. O estudo do grego antigo se tornou uma das bases de sua produção, que reúne poesia, reflexão filosófica e experimentação narrativa.
Um de seus livros mais conhecidos é “Autobiografia do vermelho”, publicado originalmente em 1998. O romance em versos transporta para o mundo contemporâneo o mito de Gerião, monstro vermelho que, na tradição grega, é morto por Héracles durante um de seus doze trabalhos. Na releitura de Carson, o personagem ganha uma história marcada por desejo, descoberta e conflitos afetivos.
A obra chegou ao Brasil pela Editora 34, em 2021, com tradução de Ismar Tirelli Neto. O livro exemplifica uma característica recorrente da autora: reunir, em um mesmo trabalho, suas experiências como poeta, ensaísta e estudiosa da cultura grega.
Outra obra de destaque é “A beleza do marido”, publicada originalmente em 2001 e lançada no Brasil em 2024. Apresentado como um ensaio ficcional em 29 tangos, o livro explora um casamento e sua dissolução, em uma narrativa que combina poesia e reflexão sobre a beleza.
Carson já acumulava reconhecimento internacional antes do Nobel. Em 2001, tornou-se a primeira mulher a receber o prêmio T. S. Eliot, por “A beleza do marido”. Sua trajetória também inclui bolsas das fundações Guggenheim e MacArthur.



