SAÚDE

Vírus Nipah volta ao radar da saúde global e especialista explica por que o Brasil não precisa entrar em alerta

Doença registrada na Ásia não tem casos no país e, segundo infectologista, informação e vigilância seguem sendo as principais formas de proteção

O vírus Nipah, identificado em recentes casos na Ásia, voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde e da população. Apesar do nome pouco conhecido, trata-se de um vírus monitorado há anos por organismos internacionais por sua capacidade de causar infecções graves em humanos. No entanto, especialistas reforçam que não há, neste momento, motivo para preocupação no Brasil.

Segundo a Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista, docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), o Nipah é um vírus de origem animal, transmitido inicialmente por morcegos frugívoros, podendo alcançar os seres humanos por contato direto com animais infectados, alimentos contaminados ou, em situações específicas, pela transmissão entre pessoas. A doença pode variar desde quadros leves até manifestações mais graves, como comprometimento respiratório e inflamação do cérebro.

De acordo com a especialista, os casos registrados até agora estão restritos a regiões específicas da Ásia, onde fatores ambientais e culturais favorecem a circulação do vírus. “No Brasil, o cenário é diferente. Não temos registro da doença e contamos com sistemas de vigilância epidemiológica preparados para identificar rapidamente qualquer caso importado”, explica.

A médica ressalta que, embora o vírus seja considerado de atenção internacional, o risco de disseminação no país é baixo. O acompanhamento de viajantes vindos de áreas com surtos ativos e a capacidade de resposta do sistema de saúde são apontados como fatores que contribuem para essa segurança.

Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico aprovado contra o vírus Nipah. Por isso, a prevenção está baseada em medidas simples e já conhecidas, como higienização adequada das mãos, cuidado no consumo de alimentos, especialmente frutas, e a busca por atendimento médico ao surgirem sintomas como febre persistente associada a sinais respiratórios ou neurológicos, principalmente após viagens internacionais.

Para a Dra. Silvia, o momento pede atenção, mas não alarme. “Informação de qualidade e vigilância constante são as principais ferramentas para lidar com vírus emergentes. O Brasil está atento e a população não precisa mudar sua rotina”, conclui.

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