Entre a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-Feira da Paixão, um grupo tradicional percorre as ruas de Juazeiro (BA) mantendo viva uma das manifestações mais marcantes do catolicismo popular na região. Durante a Quaresma, os penitentes saem três vezes por semana em caminhada de oração pelas almas dos que já morreram.
Vestidos com túnicas brancas, os participantes seguem em silêncio por cruzeiros, capelas e locais associados à memória da comunidade, entoando benditos e rezas. O percurso geralmente tem como ponto final o cemitério, onde as orações são intensificadas. Ao longo do trajeto, são realizadas ‘sete estações’, que simbolizam as dores de Jesus Cristo durante a Paixão. O som da matraca marca o ritmo da procissão, reforçando o clima de recolhimento e penitência que caracteriza o período quaresmal.
A tradição dos Penitentes teve início em 1901, quando religiosos capuchinhos participaram da formação dessa prática na cidade. Desde então, o ritual foi passado de geração em geração, sendo mantido até hoje por grupos que se dedicam às orações e ao testemunho de fé. A manifestação reúne homens e mulheres que assumem diferentes funções no ritual, como conduzir as orações e marcar o ritmo da caminhada. Mais do que um ato religioso, a tradição representa um patrimônio imaterial que preserva a memória, os costumes e a espiritualidade da comunidade.
Durante a Quaresma, a presença dos penitentes transforma ruas e espaços públicos em cenários de reflexão, perpetuando uma herança cultural que resiste ao tempo e reafirma a força da religiosidade popular no Vale do São Francisco.



