POLÍCIA

Agiota preso em Salvador simulou ser PM com IA e disse ser evangélico

O homem preso na manhã de segunda-feira (27), no bairro dos Mares, em Salvador, suspeito de praticar agiotagem com juros que tornaram a dívida da vítima impagável, criou um perfil falso no WhatsApp para se passar por policial militar e intimidá-la.

Segundo a Polícia Civil, a imagem usada para dar aparência de autenticidade ao personagem foi criada com auxílio de inteligência artificial e o suspeito utilizava o nome de “Capitão Guimarães” nas cobranças.

Identificado como Edenilton de Carvalho Gonçalves, de 30 anos, o suspeito teria utilizado a falsa identidade policial para pressionar a vítima, uma mulher de 28 anos, a pagar uma dívida que começou com um empréstimo de R$ 500.

A mulher chegou ao suspeito por indicação de um amigo e todo o trâmite foi feito por meio de troca de mensagens e telefone. Edenilton dizia ser músico da Igreja Assembleia de Deus, no bairro de Caminho de Areia, para transmitir confiança.

O acordo previa o pagamento com juros de 40% em 30 dias, mas o valor cobrado posteriormente chegou a R$ 2.170. De acordo com a corporação, após o atraso no pagamento, o suspeito fez cobranças de forma agressiva, com ameaças e ofensas. A mulher realizou pagamentos, mas a dívida aumentavao devido às cobranças de novos juros.

A vítima demorou cerca de dois meses para procurar a polícia. Após o registro da ocorrência, equipes do Serviço de Investigação (SI) passaram a acompanhar as informações repassadas por ela até conseguir marcar a prisão em flagrante.

Ameaças

De acordo com o delegado Sérgio Schlang, 6ª Delegacia Territorial (DT) de Brotas, em uma das ameaças, o suspeito teria citado o filho da vítima e afirmado que não perderia o dinheiro. Ele também teria enviado uma foto da residência dela e dito que iria até o imóvel para retirar objetos caso a dívida não fosse quitada.

Durante a abordagem, os policiais encontraram uma carteira funcional falsa da Polícia Militar. O documento trazia o nome de “Gabriel de Carvalho Gonçalves”, mas continha os dados pessoais e a fotografia de Edenilton. Há, inclusive, um erro de digitação no sobrenome.

O delegado diz que o suspeito alegou que a carteira teria sido produzida durante um curso e que não sabia quem havia confeccionado o documento. A versão, no entanto, não convenceu os investigadores.

Deixe uma resposta