“Quem não gostava de Cacá?” A pergunta, aparentemente simples, talvez seja a melhor maneira de traduzir o sentimento de muitos juazeirenses diante da partida de Carlos Alberto, carinhosamente conhecido como Cacá.
Economista, amigo, companheiro e conselheiro de muitos, Cacá construiu ao longo da vida uma extensa rede de amizades e deixou sua marca em diferentes espaços da vida social, cultural e espiritual de Juazeiro.
Para os amigos mais próximos, era o “Negão Cacá”, apelido carregado de carinho e intimidade. Mas, como definiu um de seus amigos em uma homenagem, Cacá era um homem de pele negra e, sobretudo, de “alma branca”, numa referência à sua generosidade, lealdade e capacidade de cultivar amizades.
A notícia de sua morte, ocorrida no domingo, 9 de agosto, foi recebida com incredulidade por aqueles que conviveram com ele. Telefones tocaram durante todo o dia, levando a amigos e conhecidos a confirmação de uma notícia que muitos inicialmente se recusavam a acreditar.
O impacto da perda também foi percebido durante seu velório, marcado por depoimentos emocionados de representantes das instituições nas quais Cacá desenvolvia atividades sociais e espirituais, entre elas a Rosa-Cruz, a Maçonaria e a União do Vegetal (UDV).
Sua história também se confunde com momentos importantes da vida cultural e universitária de Juazeiro. Ainda jovem, participou da Associação dos Universitários de Juazeiro (AUJ) e acompanhou de perto atividades do grupo cultural Exodus, convivendo com nomes que ajudaram a construir parte da história cultural da cidade.
Também esteve ligado à Residência Universitária de Juazeiro (RUJ) e ao movimento estudantil e cultural que aproximava os jovens juazeirenses que, mesmo distantes da terra natal, mantinham vivo o vínculo com a cidade.
Mais recentemente, Cacá teve participação importante na revitalização do tradicional Encontro dos Amigos de Juazeiro, iniciativa criada pelo saudoso Flávio Luís e posteriormente conduzida por Turiba.
O encontro cresceu, ganhou novos contornos e passou a ser chamado de Encontro de Juazeirenses. Cacá, com sua extensa agenda de contatos e sua capacidade de reunir pessoas, ajudou a ampliar a participação de conterrâneos.
Era comum enviar telefones de juazeirenses espalhados por diferentes lugares e incentivar os organizadores a ampliar a mobilização. Com sua característica perspicácia, chegou a fazer uma previsão que ficou marcada: a tradicional Ceasinha se tornaria pequena para receber o público.
E foi além: “Isso já não é mais um encontro, mas uma verdadeira instituição.”
A frase sintetiza não apenas sua percepção sobre o evento, mas também a maneira como Cacá enxergava a força dos vínculos entre os filhos de Juazeiro.
Sua partida deixa uma lacuna entre familiares e amigos, mas também entre aqueles que tiveram a oportunidade de compartilhar com ele momentos de amizade, cultura, espiritualidade e amor pela cidade.
Como resumiu Jairton Fraga em uma mensagem de despedida: “O céu está em festa e nós, e Juazeiro, mais pobres.”
Carlos Alberto, o Cacá, deixa saudades e uma coleção de histórias, encontros e amizades que continuarão sendo contadas por aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Porque algumas pessoas partem, mas permanecem na memória daqueles que ajudaram a construir suas histórias.
Cacá é uma dessas pessoas.
Descanse em paz, grande amigo.
Juazeiro jamais esquecerá você.



