PETROLINA

Petrolina: Lampião é condenado em Júri Histórico

Por cinco votos a favor e dois contra, o tribunal do júri considerou Virgulino Ferreira da Silva culpado por seus crimes. A sentença foi proferida pela juíza Elane Brandão na noite de ontem. O julgamento épico ocorreu no Centro Cultural Dom Bosco, em Petrolina. Durante o júri, Lampião alternou entre semblantes de indignação e zombaria diante das acusações. Sua fiel companheira, Maria Bonita, esteve perto todo o tempo.

O Ministério Público acusou o rei do cangaço de forma incisiva, apontando as contradições dos seus atos, opostos a devoção cristã que ostenta nas indumentárias. “Você é ateu!”, exclamou Dra. Eliane Gaia, com o dedo em riste. A Dra. Cíntia Granja, o acusou de ser covarde e de fazer conluio com “a volante e os poderosos”.

Já a defesa, tentou humanizar o cangaceiro, ressaltando a vida penosa que viveu desde menino, envolta nas brigas entre famílias, tão comuns no sertão daquela época. “Ele não tinha outra escolha”, afirmou o Dr. Marcílio Rubens “Se vocês jurados forem realmente sertanejos vão entender Lampião”, falou o Dr. Rubens trajado de vaqueiro.

No fim do julgamento, ao som de fogos de artifícios, o rei do cangaço ouviu o veredicto em silêncio: “culpado!”. O resultado dividiu opiniões. O estudante do curso de Direito, Afonso Henrique, afirmou que acreditava em uma possível absolvição, pois Lampião foi uma produção de um Estado omisso e injusto. “Se houvesse justiça naquela época, Virgulino não teria se transformado em Lampião”, explicou Henrique. Mas, segundo o historiador e escritor soteropolitano Oleone Fontes Coelho, o resultado foi justo, pois Lampião escolheu um caminho de crueldade e violência.

O resultado da votação para escolher o réu do Júri Histórico 2020; realizada por meio da rede social do evento, instagram (jurihistorico.pnz); será divulgado nos próximos dias.

* O Júri Épico é um projeto acadêmico, e tem o objetivo integrar a ciência jurídica a outras disciplinas. Foi idealizado pelo professor Anderson Wagner Araújo e pelo promotor criminal de Petrolina, Fernando Della Latta, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) e a Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE).

Assessoria Júri Histórico

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