A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que está apurando menções a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, no inquérito que investiga desvios e descontos ilegais no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A notícia foi informada pelo Estadão. Segundo a PF, as referências a Lulinha surgiram em depoimentos e conversas entre terceiros, mas até o momento não há confirmação de sua participação direta nos fatos investigados.
“Eventualmente confirmadas as citações e hipóteses criminais levantadas, e uma vez deferidas e cumpridas as medidas cautelares propostas, a Polícia Federal adotará todas as providências necessárias ao fiel cumprimento de sua missão constitucional”, diz trecho da representação ao STF obtida pelo Estadão.A Polícia Federal também citou viagens conjuntas de Lulinha e Luchsinger, com passagens emitidas sob o mesmo código de reserva, de São Paulo para Brasília e Lisboa, no período em que negócios estavam sendo fechados. Conversas entre o Careca do INSS e Luchsinger também fazem referência ao filho do presidente, incluindo pagamento de R$ 300 mil por mês para a empresa da empresária, “referente ao filho do rapaz”, e apreensão de um envelope com ingressos para shows.
Investigações anteriores
Roberta Luchsinger foi alvo da Operação Sem Desconto, em dezembro, que incluiu busca e apreensão. Ela tinha contrato de consultoria com Antunes, recebendo R$ 1,5 milhão para auxiliá-lo em negociações com o governo federal. O Careca do INSS está preso desde setembro, suspeito de liderar esquema milionário de descontos indevidos em aposentadorias.
A PF destacou que, até o momento, os vínculos com Lulinha são indiretos, e o objetivo é esclarecer se houve envolvimento em movimentações empresariais relacionadas a Antunes.
Defesas e posicionamentos
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, classificou as citações como “ilações” e disse que se trata de “mais uma vilania, mais uma tentativa de desgastar o governo”. Ele afirmou ao Estadão que o filho do presidente “não tem relação com as fraudes nem nunca foi sócio do Careca do INSS”.
A defesa de Roberta Luchsinger informou que a empresária foi procurada apenas para atuar na regulação do setor de empresas de canabidiol e que os negócios “não chegaram a prosperar”. Segundo os advogados, “nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado”, e destacaram a amizade de anos entre Luchsinger e a família Lula.
O advogado de Antônio Antunes não comentou, alegando não ter acesso à íntegra do conteúdo extraído do celular dos investigados.
Em dezembro, o presidente Lula declarou: “quem estiver envolvido, será investigado. Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”.



