O calendário do futebol brasileiro é conhecido pela grande quantidade de jogos, o que pode ficar ainda pior quando os times se classificam para competições internacionais. Para o Bahia em 2026, a expectativa era de que o total de partidas da equipe baiana chegasse aos 77 jogos. A eliminação na Libertadores já tinha diminuído o número de confrontos, o que voltou a acontecer após a derrota para o Remo na Copa do Brasil.
Esse cálculo levava em conta um cenário extremamente otimista, onde o time alcançaria as finais do estadual e do mata-mata nacional. Agora, o Esquadrão vai terminar o ano com 53 jogos na temporada, menor número de partidas desde a temporada 2005, quando entrou em campo por apenas 42 vezes. Quando a temporada chegar ao fim, o time terá feito 27 partidas a menos em relação ao ano passado, quando jogou 80 vezes.
A queda vertiginosa no número de jogos tem algumas explicações, como desempenho esportivo e mudanças de regulamento. Com a reformulação do calendário brasileiro já em 2026, ficou definido que os clubes que se classificassem para competições internacionais ficariam de fora dos torneios regionais. Esse foi o caso do Esquadrão, que conseguiu pela segunda temporada seguida se classificar para a Libertadores.
Sem os jogos do regional, o time também não repetiu a campanha na competição internacional e foi eliminado ainda na segunda fase. Os dois jogos no torneio não foram suficientes nem para o time disputar a Copa Sul-Americana. A eliminação precoce, no entanto, se repetiu na Copa do Brasil, onde também foram apenas dois confrontos disputados.
As únicas duas competições que o Tricolor vai conseguir completar todos os jogos previstos são o Campeonato Baiano e a Séria A. A única competição que tem quantidade fixa de jogos é o Brasileirão, com 38 rodadas garantidas. Já no estadual, todas as 11 datas previstas foram cumpridas e terminaram com o título do Bahia.
Menos é mais?
Na temporada passada, o Bahia foi a equipe brasileira que mais entrou em campo. Em outubro, após uma partida contra o São Paulo, Rogério Ceni criticou o calendário brasileiro e o pouco tempo de descanso entre os jogos, citando um pedido negado pela CBF para mudar a data daquele confronto.
“Nós mandamos ofício para a CBF pedindo um dia a mais. Nós jogamos quinta, domingo, quarta e sábado. Tem uma hora que pesa. Não vi nenhum time no Brasil jogar quinta, domingo, quarta e sábado. Tem time que joga duas competições, como Flamengo e Palmeiras, e não joga de três em três dias. Para nós não conseguem colocar um dia a mais para se recuperar. Aí os jogadores cansam, têm lesões e você perde suas substituições com 13 minutos do segundo tempo. Não adianta ter só um campeonato para jogar e enfileirar quatro jogos em dez dias”, comentou o treinador.
“Eu acho que é simples. Você pode até ter os 80 jogos, que é bastante, mas é preciso dar mais descanso entre os jogos, tem que distribuir melhor. Não preciso de oito dias, cinco dias entre os jogos já ajuda”, complementou o comandante tricolor.
Com as eliminações, o Bahia agora tem apenas mais 24 jogos para fazer no ano, todos pelo Brasileirão. Os cinco dias de descanso já estão acontecendo dentro do clube baiano, o que deve se repetir no restante da temporada. No entanto, ao falar sobre o calendário depois do jogo contra o Remo, Ceni destacou que o time se saiu melhor com menos tempo para treino.
“Hoje nós mostramos que, com um jogo seguido do outro, jogamos no fim de semana e hoje no meio de semana, viemos e jogamos melhor do que em outra vez em que tivemos uma semana de intervalo”, disse.
Antes, o treinador já tinha comentado sobre a falta de jogos atrapalhar a administração de pessoas, apesar de ajudar na recuperação física dos atletas. “Você não consegue rotacionar o time. Alguns jogadores ficam com baixa minutagem, e isso atrapalha eles a entrar no ritmo dos titulares. Sempre tem alguém que fica com o rosto mais feio”, comentou.




