Um médico e outros dez suspeitos foram presos durante a Operação Iceberg, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (24) contra um grupo investigado por tráfico de drogas voltado a consumidores de alto poder aquisitivo, como médicos, advogados e empresários.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante. Também foram apreendidos carros de luxo avaliados em mais de R$ 1,1 milhão, incluindo modelos Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker, além de uma motocicleta Honda NXR 160 Bros.
Quem são os presos?
As identidades dos suspeitos ainda não foram divulgadas. Segundo a Polícia Civil, as prisões ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus. Um dos alvos já estava preso no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe, onde teve o mandado cumprido.
Entre os presos estão três homens apontados como integrantes da liderança do grupo. O principal alvo foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição dos entorpecentes para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.
A investigação financeira apontou que o suspeito movimentou mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos, por meio de mais de 16,6 mil transações bancárias. Empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar os valores. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.
Uma pistola foi encontrada com um médico investigado, que foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele está entre as duas pessoas detidas em flagrante durante a operação.
Distribuição no interior
Em Vitória da Conquista, um dos suspeitos apontados como liderança regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição no município e em cidades próximas.
Segundo a investigação, parte dos entorpecentes era escondida em potes de cremes estéticos e transportada em ônibus comerciais, camuflada como cosméticos. Entre as drogas distribuídas estava a modalidade conhecida como ICE, recebida em Salvador e redistribuída no sudoeste baiano.
Em Santo Antônio de Jesus, outro investigado, já conhecido por envolvimento com o comércio de drogas na região, buscava os entorpecentes na capital e abastecia o município e cidades vizinhas.
Outras apreensões
Durante a operação, foram apreendidas porções de entorpecentes de alto valor comercial, celulares e documentos. O material será analisado para identificar novos envolvidos, fornecedores e detalhes da movimentação financeira.
A investigação identificou ainda que o grupo utilizava redes sociais para negociar drogas, com pagamentos principalmente via PIX e entregas discretas. Entre os consumidores estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo.
Os entorpecentes eram divulgados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.
Segundo a apuração, os suspeitos mantinham padrão de vida elevado, com imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Empresas e contas de familiares ou terceiros também teriam sido utilizadas para ocultar recursos.
A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo DHPP. A análise de um perfil em rede social revelou indícios de comercialização de drogas e levou à identificação da estrutura de fornecedores, distribuidores e responsáveis pela movimentação financeira.
A ação é coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), DENARC, DEPIN, CORE e Departamento de Polícia Técnica (DPT).



