BAHIA POLÍCIA

Bahia lidera número de crimes violentos em abril de 2020 no país com crescimento de 16%

A Bahia é o estado brasileiro com a maior quantidade de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em abril deste ano, de acordo com os dados do Monitor da Violência divulgados nesta quarta-feira (17). Os CVLIs incluem homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Comparando com o mesmo período do ano passado, houve aumento de 16,59%.

Esses dados fazem parte da terceira parcial divulgada pelo monitor. Na primeira, o estado baiano também liderou a lista na quantidade de crimes entre janeiro e fevereiro deste ano, assim como no mês de março.

Segundo o Monitor da Violência, em todo país, houve 3.950 mortes violentas em abril de 2020. No mesmo mês no ano passado, foram 3.656. O crescimento de 8% ocorre mesmo em meio à pandemia da Covid-19, em um mês onde medidas de isolamento social foram adotadas em todo o país.

A Bahia teve 534 CVLIs no mês de abril. Em relação ao índice por 100 mil habitantes, isso significa que o estado baiano teve uma taxa de 3,59. A taxa nacional de CVLIs a cada 100 mil habitantes é 1,88. No mesmo período do ano passado, o estado baiano contabilizou 458 crimes violentos, com taxa de 3,08.

O G1 entrou com contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), para pedir um posicionamento sobre os dados, mas, até a última atualização desta matéria, não obteve retorno.

Ainda segundo o monitor, depois da Bahia, em abril deste ano, vieram Ceará (438), Rio de Janeiro (321), Pernambuco (320), São Paulo (290), Minas Gerais (219) Paraná (184) e Rio Grande do Sul (167).

Ao analisar apenas os estados do nordeste, atrás da Bahia estão Ceará (438), Pernambuco (320), Rio Grande do Norte (139), Maranhão (128), Paraíba (124), Alagoas (115) e Piauí e Sergipe (99 casos, cada um).

Dados nacionais

A alta no início deste ano vai na contramão de 2019, que teve uma queda de 19% no número de assassinatos em todo o ano. O Brasil teve cerca de 41 mil vítimas de crimes violentos no ano passado, o menor número desde 2007, ano em que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública passou a coletar os dados.

O G1 já havia antecipado que um terço dos estados tinha apresentado alta nos assassinatos no último trimestre de 2019, o que acendeu o alerta para uma possível reversão da tendência de queda da violência no país, segundo os especialistas. A reversão foi confirmada no início deste ano.

Os dados apontam que:

  • o país teve 3.950 assassinatos em abril de 2020
  • houve 294 mortes a mais na comparação com o mesmo mês de 2019, uma alta de 8%
  • já de janeiro a abril, foram 15.868 crimes violentos, um crescimento de 9%
  • 19 estados do país apresentaram alta de assassinatos no quadrimestre
  • 7 registraram queda no período e 1 manteve o mesmo número de mortes

O levantamento faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Como o levantamento é feito

ferramenta criada pelo G1 permite o acompanhamento dos dados de vítimas de crimes violentos mês a mês no país. Estão contabilizadas as vítimas de homicídios dolosos (incluindo os feminicídios), latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais.

Jornalistas do G1 espalhados pelo país solicitam os dados, via assessoria de imprensa e via Lei de Acesso à Informação, seguindo o padrão metodológico utilizado pelo fórum no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O governo federal anunciou a criação de um sistema similar ainda na gestão do ex-ministro Sergio Moro, em março do ano passado. Os dados, no entanto, não estão atualizados como os da ferramenta do G1.

Os dados coletados mês a mês pelo G1 não incluem as mortes em decorrência de intervenção policial. Isso porque há uma dificuldade maior em obter esses dados em tempo real e de forma sistemática com os governos estaduais. O balanço de 2019 foi realizado dentro do Monitor da Violência, separadamente, e foi publicado em 16 de abril. O de 2020 ainda será feito.

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