JUREMAL

“Vão para o Açude”: Descaso e sede marcam a rotina de abandono em Poções, Juazeiro

O direito básico à dignidade humana está escorrendo pelo ralo, ou melhor, pela falta dele, na comunidade de Poções, distrito de Juremal. Há mais de uma semana, as torneiras secas ditam um ritmo de desespero para dezenas de famílias que enfrentam uma crise de abastecimento sem precedentes, agravada pelo que classificam como “deboche” por parte do poder público.

Sem uma gota d’água para as necessidades mais elementares, a rotina dos moradores se transformou em uma corrida pela sobrevivência. O cenário é de desolação: montanhas de roupas sujas se acumulam pelos cantos, louças permanecem empilhadas e, o mais alarmante, a água para beber tornou-se um item de luxo.

A crise atinge de forma implacável os mais vulneráveis. Crianças e idosos sofrem com a falta de higiene básica, enquanto trabalhadores retornam para casa após longas jornadas no campo sem o direito a um banho digno.

“Se Quiserem Tomar Banho, Vão para o Açude”

A revolta da comunidade atingiu o ápice após um episódio de descaso verbal. Segundo relatos de moradores, ao buscarem explicações junto ao Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE), ouviram de um funcionário a orientação irônica de que deveriam buscar o açude local caso quisessem se banhar.

“É uma humilhação que não tem tamanho. A gente paga imposto, cumpre dever e recebe piada em troca da nossa sede. Dizer para um cidadão ir para o açude em pleno século XXI é atestar que não existimos para a prefeitura”, desabafa uma moradora que preferiu não se identificar por medo de retaliação.

Para a comunidade de Poções, o problema não é uma fatalidade climática, mas uma falha de gestão que tem se acentuado nos últimos anos. De acordo com os comunitários, o fornecimento de água em Juazeiro e seus distritos atingiu o pior nível histórico na atual administração municipal.

A discrepância entre a propaganda oficial e o que chega (ou não) às casas é o principal alvo de indignação. Os moradores alegam que o marketing político não reflete a precariedade vivida no interior.

“Tá na hora do prefeito sair das telas do celular e vir para a vida real. Aqui a gente precisa de água, não de propaganda”, dispara um morador

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