POLÍCIA

Veja como era a passagem secreta usada por chefe de facção baiana para fugir de cerco em favela no Rio

Uma porta disfarçada em uma parede foi o ponto central da fuga do traficante baiano Ednaldo Pereira Souza, o “Dada”, durante a operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (20). Apontado pelo Ministério Público e pela Secretaria de Segurança da Bahia como chefe do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), que atua no Sul baiano, ele conseguiu escapar antes de ser alcançado pelos policiais.

No interior do imóvel onde estava hospedado, os agentes identificaram uma estrutura camuflada no térreo. Ao abrir a passagem escondida na parede, foram encontrados um encanamento aparente, um muro de tijolos e um buraco que dava acesso a uma rota de fuga usada pelo traficante.

A ação terminou com três pessoas presas e deixou cerca de 200 turistas “ilhados” no alto do Morro Dois Irmãos. Dada, porém, já havia deixado o local no momento da chegada das equipes.

O traficante fugiu do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro ed 2024 e, desde então, passou a se deslocar entre comunidades do Rio de Janeiro, tendo passado pela Rocinha antes de se instalar em uma casa de alto padrão no Vidigal. Ele alugou o imóvel e estava no local com familiares e amigos.

A informação sobre o endereço levou à operação conjunta entre forças da Bahia e do Rio, que acabou resultando no confronto no imóvel.

Patola conseguiu fugir, mas mulher foi presa

Outro alvo da ação também conseguiu escapar. Trata-se de Wallas de Souza Soares, o “Patola”, apontado como liderança do PCE e com dois mandados de prisão em aberto.

Entre os presos está Núbia Santos Oliveira, mulher de “Patola”, apontada como responsável pela movimentação financeira da facção e pela logística do grupo. Também foram detidos Patrick Cesar Tobias Xavier, o “Bart”, flagrado com drogas, roupas camufladas e rádio comunicador, além de documentos falsos, e Christian Fernandes Rodrigues da Silva, preso com armas de grosso calibre.

Turistas ilhados e trânsito interrompido

A operação provocou reflexos diretos na rotina da região. Cerca de 200 turistas ficaram temporariamente impedidos de deixar o Mirante do Morro Dois Irmãos por causa do tiroteio registrado nas primeiras horas da manhã.

Moradores relataram rajadas de tiros e a presença de helicópteros sobrevoando a comunidade em baixa altitude. Parte do comércio local fechou as portas durante o confronto.

O trânsito na Avenida Niemeyer também foi afetado. A via chegou a ser interditada no sentido Vidigal durante a operação e foi liberada posteriormente. No sentido Leblon, o fluxo permaneceu aberto.

Equipes das forças de segurança da Bahia e do Rio continuam realizando buscas na região após suspeitos conseguirem fugir por uma área de mata durante a ofensiva.

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