POLÍTICA

Eleição presidencial 2026: indecisos viram alvo principal dos candidatos

“O que será que vai decidir as eleições deste ano?”, me pergunto. E, certamente, essa é uma questão que também passa pela cabeça de você, leitor. A menos de 40 dias da votação que definirá os próximos mandatários do país, uma parcela significativa do eleitorado brasileiro ainda não decidiu qual caminho seguirá na disputa pelo Palácio do Planalto.

Os magos da estatística estimam que 10% dos eleitores estão indecisos sobre a eleição presidencial. Projetado sobre o eleitorado nacional, esse percentual representa cerca de 15 milhões de brasileiros. Para se ter uma dimensão desse contingente, é como se, praticamente, toda a população da Bahia ainda não tivesse escolhido em quem votar para presidente da República.

O indeciso é, por definição, alguém mergulhado em dúvidas. Em regra, está aberto a diferentes candidaturas, costuma ter menor identificação partidária, menor envolvimento com a política e, muitas vezes, só define o voto na reta final. Por isso, conquistar esse homem ou essa mulher é uma das principais missões de todos os postulantes.

Os candidatos, então, recorrem a todo o arsenal de que dispõem. Fazem carreatas, caminhadas e comícios, produzem conteúdo para rádio, televisão e redes sociais, participam de debates (cada vez menos, é verdade) e se submetem a uma série de sabatinas.

Uma das de maior visibilidade é a promovida pela TV Globo com os apresentadores do Jornal Nacional, Renata Vasconcellos e César Tralli. Candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi colocado contra a parede sobre as investigações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo as apurações, há suspeitas de que ele tenha se valido da condição de filho do presidente da República para favorecer interesses de empresas privadas em negociações com órgãos do governo federal.

Mas o que mais chamou a atenção e ‘pipocou’ nas redes sociais foi a postura de Lula diante da apresentadora Renata Vasconcellos. O petista acabou acusado de praticar em 11 ocasiões “mansplaining” – termo em inglês usado para descrever situações em que um homem explica algo a uma mulher de maneira condescendente, partindo do pressuposto de que ela sabe menos sobre o assunto.

O episódio ganha ainda mais relevância pelo peso que as mulheres terão nas eleições deste ano. Analistas políticos apontam que segmentos como o das mulheres empreendedoras e o dos eleitores de meia-idade, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades econômicas e elevados níveis de endividamento, estarão entre os grupos decisivos no pleito eleitoral.

Os adversários de Lula também enfrentaram uma bateria de perguntas. Flávio Bolsonaro (PL) foi confrontado com questionamentos ligados ao escândalo do Banco Master; Ronaldo Caiado (PSD), à defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro; e Renan Santos (Missão), à proposta de o Brasil desenvolver uma bomba atômica.

Ao longo da campanha, os candidatos precisam resistir a uma verdadeira fuzilaria de ataques, vindos tanto dos oponentes quanto da imprensa, que colocam suas imagens públicas permanentemente à prova. Com o início do horário eleitoral nesta sexta-feira (28), essa ofensiva tende a se intensificar, com a ampliação do confronto e multiplicação das trocas de acusações.

E o eleitor indeciso que, como vimos, será decisivo por ainda estar disposto a votar em diferentes candidatos, acompanha de perto o comportamento, as declarações e as propostas apresentadas ao longo da campanha. Mas o que moverá esse voto de última hora? Segundo pesquisadores, conteúdos nas redes sociais, redes informais de influência, como igrejas, e até práticas ilegais, como compra de votos e boca de urna, podem pesar nessa decisão.

O indeciso, dizem especialistas, tende a ser mais suscetível a estímulos de curto prazo. Por isso, até a última hora, cada voto seguirá em disputa.

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