Apesar de o senador Jaques Wagner (PT) assegurar a interlocutores que não há chance de haver mudança na composição da chapa à sucessão estadual que anunciou na semana passada, na ausência de Jerônimo Rodrigues (PT) do país, o que gerou uma grande polêmica, a discussão sobre a escolha do nome para vice-governador continua ocorrendo internamente no governo devido à resistência à manutenção de Geraldo Jr. (MDB) na vaga.
O nome não agrada principalmente aos segmentos mais à esquerda do PT, que viu Geraldo Jr. ser derrotado fragorosamente na campanha de 2024 à Prefeitura de Salvador pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) em detrimento de um nome do partido, nem teria sido bem recebido em vários setores da sociedade, segundo levantamento encomendado internamente pelo governo para avaliar o impacto do anúncio.
Considerado uma desconsideração à figura do governador, que havia durante o Carnaval declarado que só trataria da formação da chapa quando retornasse da viagem à Índia com o presidente Lula (PT), a iniciativa de Wagner seria uma maneira de criar um fato consumado para evitar que Lula convencesse Jerônimo a abrir mão de disputar a reeleição em favor de Rui Costa, a pedido do próprio ministro da Casa Civil.
Embora reservadamente, a reação na base aliada do governo ao anúncio foi tão grande que ontem Wagner negou que tenha atropelado Jerônimo, assegurando que quem decide sobre a formação da chapa é o governador e seu Conselho Político, onde têm assento todos os partidos que dão sustentação ao governo. “Olha, quem bate o martelo é o governador Jerônimo e o conselho político”, disse Wagner, para completar:
“Deu essa fofocaria toda porque semana passada eu emiti a minha ideia. Como infelizmente o (senador Angelo) Coronel se afastou do grupo, resolveu fazer uma carreira no outro grupo político, então, eu diria que na área do Senado, nós não temos mais nenhum obstáculo, nenhuma dificuldade. (…) Quem comanda o espetáculo é Jerônimo e o Conselho Político”.
Em alguns setores, a nova fala, em que o senador busca defender principalmente seu nome, o de Jerônimo e o de Rui na chapa, foi interpretada também como um sinal de que Wagner poderia admitir a substituição de Geraldo Jr. por outro quadro, embora ele tenha negado a possibilidade a vários setores do partido. “São duas candidaturas, a minha e a do ministro Rui Costa, são dois ex-governadores na chapa. Jerônimo vai para a reeleição e eu disse o que eu penso”, afirmou.
Em seguida, ele disse que em “time que está ganhando não se mexe, portanto eu repetiria a chapa na cabeça, governador e vice. Mas, para não tomar o lugar dos outros, quem comanda o espetáculo é Jerônimo e o Conselho Político”. Fontes do PT disseram a este Política Livre que Jerônimo seria um dos mais irritados com a decisão de Wagner, depois de Rui.



