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Precisa-se de um Presidente

Um governo em apuros, ou um país à beira do abismo, assim pode ser definido esses quatro meses de governo de Jair Bolsonaro. Um governo que oscila entre o amadorismo e o desequilíbrio emocional da família Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro não acordou para a realidade, ainda está em plena campanha quando ainda era deputado federal, e lançou-se na aventura de concorrer à presidência da oitava potência mundial. O discurso dele é o da campanha para mobilizar a militância com palavras de ordem contra os “inimigos” da família brasileira, da nação e contra o PT, por isso abusa das redes sociais, o seu principal canal de comunicação.

Jair Bolsonaro tenta a todo custo desvencilhar a sua imagem do governo, como se isso fosse possível, por isso em alguns momentos de fraqueza institucional, ele dar mais atenção às pautas nas quais ele sabe fazer política. Para alguns são cortinas de fumaça, acredito que não seja cortina de fumaça, é o que o presidente pensa que é governar.

Num intenso clima em efervescência no congresso para aprovação da malfadada reforma da previdência, o presidente da república vira para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia e indaga: “o que é articulação política?” Nesse momento Jair Bolsonaro não estava sendo ingênuo ou malicioso, de fato ele não sabe o que é isso, nunca participou diretamente de governos, sempre preferiu o apoio das milícias para ser eleito. Articulação política, não é o toma lá dá cá, muito comum na política, mas são acordos naturais no parlamento, que nem sempre envolve corrupção, mas conversas de composição e liberação de emendas.

Um governo separado por dois núcleos: de militares que são vistos como técnicos e pragmáticos, os “adultos na sala” e o núcleo dos olavistas, que querem que o presidente aplique a agenda ideológica que o ajudou a chegar lá. Os dois núcleos vivem desde o início do governo uma tensão velada ou ás vezes escancarada, como nas críticas feitas pelo guru Olavo de Carvalho ou pelo filho do Presidente, Carlos Bolsonaro, aos militares, em especial ao vice, general Hamilton Mourão.

Fato é que, ultimamente, o núcleo olavista ou psiquiátrico está ganhando espaço dentro do governo. Embora desde o início tem influenciado na sua composição, como na indicação do Ministério da Educação com Vélez e agora com o economista Abraham Weintraub, que já prometeu estrangular o orçamento da pasta para Filosofia e Sociologia, incentivou alunos a filmar professores em sala, anunciou cortes de repasses para as universidade federais, disse que universidades do Nordeste não deveriam ensinar sociologia e filosofia.

De certo que as altas expectativas antes da posse se converteram no pior desempenho de um presidente estreante desde a redemocratização. A pesquisa mais recente, do Ibope/CNI, mostra que 27% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Esse número cresceu especialmente entre nordestinos e nas periferias das grandes cidade.

Enio Costa 

Subtenente BM e Educador

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