BRASIL JUAZEIRO

No dia do rio São Francisco, ele tem pouco a comemorar

 O maior rio genuinamente brasileiro tem sofrido com os descasos ao longo dos seus mais de 500 anos, são inúmeros os casos de agressão, que cotidianamente vão minando as resistências do velho Chico em continuar vivo e dá vida.

A canção “o rio com medo’’, que metaforiza o medo do Velho Chico em não poder ver o mar, está acontecendo justamente o contrário, o mar está invadindo a foz e vindo de encontro ao rio.

O Rio São Francisco está perdendo a batalha com o mar. Por causa da estiagem dos últimos anos, a vazão após a barragem de Xingó vem sendo paulatinamente reduzida desde o início de 2013. Sem força, o Velho Chico é invadido pela água salgada do atlântico, num fenômeno conhecido como cunha salina, que provoca alterações no ecossistema e afeta o dia a dia das comunidades ribeirinhas.

Infelizmente não há uma preocupação política com a preservação e a valorização do rio, as duas maiores cidades banhadas pelo rio São Francisco, Juazeiro e Petrolina, insistem em ignorar os pedidos de socorro e os sinas de alerta emitidos pela natureza.

O prefeito de Petrolina (PE) fez uma operação de marketing político no início da gestão retirando toneladas de baronesas. Um custo altíssimo que poderia ser revertido em ações eficazes e perenes que ajudariam o rio a viver. Como por exemplo, resolver definitivamente o lançamentos de dejetos inatura, tanto pela Compesa, quanto pelos diversos condomínios e estabelecimentos comerciais e públicos.

A prefeitura de Juazeiro (BA) não age diferente, diz está “saneando” toda cidade, como se a coleta de esgoto fosse ser a solução para os problemas de degradação do rio. A simples coleta não é saneamento, é uma das etapas. A cidade é tomada por lagoas de dejetos, e a própria estação de tratamento do SAAE é um grande exemplo de desrespeito ao rio, não tratam os esgotos, apenas decantam os resíduos sólidos.

As organizações sociais que militam na defesa do rio, insistem em fazer campanhas em datas especificas, programadas pelo poder público. No restante do ano, ficam inertes e absortas em seus projetos e ações que pouco contribuem com a preservação e a mudança da realidade caótica em que se encontra o Velho Chico.

“Visitei grandes lavouras, aguoei a plantação. Encontrei muitos amigos, mas também com os inimigos que matam sem compaixão. Fui ferido na viagem e não sei se vejo mar, seu doutor meu sonho é esse…”.

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