JUAZEIRO POLÍTICA SOCIAL

Opinião: Carta aberta ao povo de Juazeiro

Os talentos, enaltecidos ao coronal do apostolado literário, declaram às vezes, o absurdo, com uma hombridade quase ridícula. (Camilo).”

Esta declaração (desabafo) será dirigida às autoridades constituídas do Executivo, Legislativo e Judiciário, ao povo em geral: pobres, ricos, cultos, incultos, mulheres e homens da zonas urbana e rural, crianças, jovens, adultos e idosos, mortais e imortais e à imprensa falada, escrita e televisada.

No dia 03 de janeiro do ano de 2018, ouvindo o programa “Sem Fronteiras”, da Rádio Juazeiro, fiquei estarrecido, não somente pelo que disse o Prefeito Paulo Bonfim, mas pela repetição do que vêm dizendo: ele, o ex-prefeito Isaac e muitos dos seus seguidores: “Isaac – O maior Prefeito de Juazeiro”, (sem analisar os itens que determinam ou que afirmam isso…!). Nessa referida entrevista, ouvi por três ou quatro vezes: “Se cada Prefeito que passou por aqui tivesse feito um pouquinho, a cidade era outra”. Esta afirmação pode não ter tido a intenção: de rebaixar, mas rebaixou; de humilhar, mas humilhou; de diminuir, mas diminuiu; de afrontar, mas afrontou; de descredenciar, mas descredenciou; de culpar, mas culpou; de fazer injustiça, mas injustiçou; de fazer julgamento, mas julgou; de ridicularizar, mas ridicularizou.

Passei aquele dia pensando nas famílias dos ex-prefeitos de Juazeiro, especialmente os já falecidos: Francisco Martins Duarte – Ramiro Ribeiro – Henrique Rocha – José Inácio da Silva – Aprígio Duarte Filho – Adolfo Viana – Leônidas Torres – Rodolfo Araújo – Miguel Siqueira – Edson Ribeiro – Alfredo Viana – Ludugero Costa – José Padilha de Souza –  Américo Tanuri – Arnaldo Vieira do Nascimento –  Durval Barbosa da Cunha.   Como será a reação dos familiares, ouvindo a expressão: “…se tivessem feito um pouquinho!”

Me veio a lembrança de fatos e obras anteriormente e me perguntei: sou analfabeto ou um desconhecedor da realidade? Já que cheguei aqui com 11 anos, 1952 (hoje com 77 anos); acompanhei a política, desde 1959 (18 anos). Residi à rua da Pimenta, numa casa de taipa, nº 212, hoje rua Francisco Martins Duarte. Juazeiro tinha aproximadamente 40 mil habitantes.

Continuei a me perguntar: quem trouxe as faculdades para Juazeiro, a agricultura irrigada, o  Mercado do Produtor, a FENAGRI, o Centro de Cultura João Gilberto, a 6ª Superintendência da CODEVASF, a energia elétrica, a AGROVALE e o Distrito Industrial?! – quem criou os Distritos Territoriais?! – quem iniciou e fez a maior parte do asfalto?! – quem mais incentivou a cultura e construiu o Centro de Cultura João Gilberto?! – quem construiu o canal da Vila Jacaré?! – quem canalizou os riachos que cortam a cidade?! – quem iniciou o saneamento, inclusive com a implantação do SAAE?! – quem construiu o Matadouro?! – quem construiu as praças e jardins o cais e os mercados municipais?! – quem construiu as unidades habitacionais de Juazeiro III – IV – V – VI – VII e VIII, Centenário, Castelo Branco, Country?! – quem implantou os projetos: Cura I, Cura II, Cidades de Porte Médio e PRODUR, com inúmeras obras e modernização administrativa para a cidade?! – quem mais elevou a autoestima da cidade?! Quais dos Prefeitos, tiveram convivência pacífica com os eleitores e adversários sem perseguição política?! Qual ou quais deles?!!!

Por que estou perguntando tais coisas: porque repetidamente dizem que Juazeiro não tinha nada!

Por que estão a dizer aos quatro cantos que os Prefeitos anteriores não fizeram nem um pouquinho. Há de se reconhecer que Isaac também fez. Reconheça-se ainda que ele foi o único Prefeito na história de Juazeiro a assumir um mandato por 8 anos consecutivos e aliado a um sistema político que o favoreceu muitíssimo, considerando as oportunidades de uma reeleição que em governos anteriores não havia. Foi também beneficiado com o advento da Municipalização dos recursos. Portanto, a diferença entre o modelo atual e o anterior, é de um trovão para um traque.

Quando ainda jovem li um conto de autor desconhecido: “DEVOLVA O PEIXE À ÁGUA”:

“Ele tinha onze anos e, a cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais próximo ao chalé da família, numa ilha que ficava no meio do lago. A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.

O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo, elas se tornaram prateadas pelo efeito da lua nascente sobre o lago. Quando o caniço vergou, ele soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração, enquanto o garoto, habilmente e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, porém sua pesca só era permitida na temporada. O garoto e o pai olharam para o peixe tão bonito, com as guelras para trás e para frente. O pai então acendeu o fósforo e olhou para o relógio. Eram dez da noite, faltavam apenas duas horas para a abertura da temporada. Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino e disse:

– Você tem que devolvê-lo, filho!

– Mas pai… – reclamou o filho.

– Vai aparece outro – insistiu o pai.

– Não tão grande quanto este, choramingou a criança.

O garoto olhou à volta do lago. Não havia outras pessoas ou embarcações à vista. Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto, sabia, pela firmeza de sua voz, que a decisão era inegociável. Devagar, tirou o anzol da boca do peixe e o devolveu à água escura. O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu. E, naquele momento, o menino teve certeza de que jamais veria um peixe tão grande quanto aquele.

Isso aconteceu há muitos anos. Hoje o garoto é um homem. O chalé continua lá, na ilha no meio do lago, e ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais. Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite. Porém, sempre vê o mesmo peixe todas as vezes que depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinara, a ética é simplesmente uma questão de certo ou errado. A ética, porém, está em agir corretamente quando não se está sendo observado. Essa conduta reta só é possível quando, desde criança, aprende-se a devolver o peixe à água”

Senhores, Prefeito e ex, Paulo Bonfim e Isaac, seria muito bom que devolvessem à cidade: seu status e sua posição perante a sociedade, quanto aos administradores passados. Eles também fizeram…!  Cada um na sua época! Cada um dentro de suas possibilidades! Cada um priorizando a necessidade do momento!

Longfellow, acertadamente escreveu para seus conterrâneos (e vale até hoje!):  “Nós nos julgamos pelo que nos sentimos capazes de fazer, e os outros pelo que já fizeram. Que bom reconhecer os que outros igualmente fizeram!”

Mário dos Santos Gomes – Cidadão de Juazeiro

Fonte: Blog Didi Galvão

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