Com a chegada da Semana Santa, a venda de peixes cresce e o cardápio das famílias brasileiras muda drasticamente. Mas você já parou para entender o real motivo por trás da ‘proibição’ de comer carne na Sexta-feira Santa? Longe de ser apenas uma ‘regra’, essa prática carrega um simbolismo profundo para milhões de cristãos ao redor do mundo.
A Sexta-feira Santa, que em 2026 será celebrada hoje, no dia 3 de abril, marca a crucificação e morte de Jesus Cristo. Para a Igreja Católica, este é um dia de luto, silêncio e, acima de tudo, penitência.
Na tradição antiga, a carne vermelha era vista como um alimento de ‘celebração’, associado a banquetes, prazeres e fartura. Como a Sexta da Paixão é um dia de tristeza e reflexão sobre o sofrimento de Cristo, a Igreja propõe que os fiéis abram mão desse prazer em sinal de respeito.
O peixe acabou se tornando o substituto oficial por ser historicamente considerado um alimento mais simples, ligado à vida dos apóstolos (muitos eram pescadores) e à própria humildade de Jesus.
Muita gente procura um versículo que diga explicitamente ‘não comerás carne na sexta’, mas a orientação funciona de forma mais ampla. Na Bíblia, em Mateus 9:15, o próprio Jesus menciona que seus seguidores jejuariam quando o ‘noivo’ (Ele mesmo) lhes fosse tirado.
Já a regra prática vem do Direito Canônico (o conjunto de leis da Igreja), que no cânon 1249 estabelece que todos os fiéis devem fazer algum tipo de penitência comum. A abstinência de carne na Sexta-feira Santa e na Quarta-feira de Cinzas é a forma mais tradicional de cumprir esse preceito.
Essa ‘folga’ na carne vermelha faz parte da Quaresma. São os 40 dias de preparação espiritual que começam na Quarta de Cinzas e terminam no Domingo de Páscoa. É um período onde o sacrifício serve para lembrar ao fiel que o espírito deve prevalecer sobre as vontades do corpo.




